terça-feira, 28 de março de 2023

A morte do livro

 Nada de receio, é só um debate. Esta quinta às 19h no Instituto Alemão (ao Campo Sant'ana, oficialmente Mártires da Pátria uma zona bonita com o jardim do Torel & sua vista panorâmica a 100 metros). 



segunda-feira, 27 de março de 2023

 


Roubei este livro a uma amiga minha. Recomendo vivamente que também o roubem a alguém. São 4 anos da vida pachecal, com o 25 de abril pelo meio (ainda não cheguei lá), muitas muitas histórias sobre o círculo literário de Lisboa da época (Cesarinys e afins) e, principalmente, uma lupa no raciocínio, método e prioridades do libertinaço enquanto editor, revisor e escritor. Muito fixe, mesmo. 

Até quarta!

João

sábado, 25 de março de 2023

Nepo Babies

 Hoje, sábado 25 de março, acordei com este segmento cómico de Bill Maher sobre circuitos fechados.

quarta-feira, 22 de março de 2023

Aula 5 (22/3)

1. O que é uma livraria? Apenas um ponto de venda. 

1.1. Uma carrinha da Gulbenkian que percorria as vilas numa região pode ser uma biblioteca (li o Júlio Verne todo graças a essa carrinha), uma trotinete com um saco de livros pode ser uma livraria. Um livreiro é como um traficante: se está apenas a uma esquina à espera de clientes, isso não faz dele menos criminoso. 

1.2. Faixa bónus: Tom Lehrer, The Old Dope Peddler. (Alguém quer traduzir? E como vai o Carver/Bukowski?)

2. Visita de estudo ao pátio, a ver as vistas e ponderar sobre elas. 

2.1. Falácia, diz o João.

2.2. Um texto muito mal editado, com personagens que não se enxergam (lá muito bem).

3. Livros de estilo. Repórteres em construção aqui. Lusa aqui. Público aqui. São sempre guias, não verdades absolutas. Por vezes, o livro de estilo é uma pessoa (geralmente mais velha), uma guardiã do saber. 

4. Exercício 3 (salvo erro):  crie uma editora em 20 minutos (bem contados). 

4.1. Apresentação dos projetos

4.2. Les jeux sont faits






4.3. Cada um trouxe ideias interessantes, mas obviamente com elementos a faltar. É um princípio. Pouco a pouco (a quem quiser jogar) as lacunas vão sendo preenchidas. 
Ou não.

5. O João tentou acertar três vezes na mão do Dany Laferriere. Acertou perto — nada mau. É a nossa relação com os planos: sem plano não há viagem; sem desvio ao plano, a viagem é uma seca. 

6. A princesa e a ervilha: tornar fácil para nós o que para outros é difícil. Provavelmente, o exercício regular dará lucro.

7. Exercício bónus:















A capa e a contracapa do “Lago da Morte”

Aqui está a minha contracapa dum livro, que não existe. Eu imaginei a história pensando nos filmes que passam no canal da televisão italiana, ou seja filmes de “terror” que muitas vezes são mal realizados e talvez com um final óbvio. 

P.s.

A foto do autor é uma imagem de stock.  

- Chiara Caprai 





sexta-feira, 17 de março de 2023

A pressa é má conselheira?

 Quase sempre. A pressão já depende. O livro pertence (em teoria) a um tempo lento, daí a maior exigência num apuramento de qualidade. Legendas de televisão e artigos da NET, bem como rodapés de noticiários, tendem cada vez mais a calinar. Aqui um exemplo, que até vos proporciona um pequeno exercício:


E aqui um bom treino para as minudências:




segunda-feira, 13 de março de 2023

Eres meus, má fortuna

 Caso não consigam emprego numa editora, podem sempre tornar-se professores de língua em Miami e cantores nas horas vagas, como o meu ex-aluno Nicola Gavioli

Atrasos muuuuito comuns

 Hoje, 13 de março, recebo (presumo que na minha categoria de influencer), esta informação. 

Acontece com bastante frequência, infelizmente. Por isso convém sempre acompanhar a informação, verificar se chegou – e se o fez a tempo. 

Também hoje, uma amiga perguntou a um agente se as sugestões para um original tinham chegado a tempo, antes de o livro ir para a gráfica. Respondeu: «Não, porque no contrato está que...»

Muito bonito, mas um contrato não é um facto

Penso sempre no provérbio espanhol do Siglo de Oro: «Se obedece pero no se cumple.»


sexta-feira, 10 de março de 2023

quarta-feira, 8 de março de 2023

terça-feira, 7 de março de 2023

João Morales

 Para uma pequena bio, ver aqui. Em 10 de Abril de 2020 (a data é importante), o João Morales publicou este texto no Público.

Testemunho de um TI com baleia ao fundo

Chamem-me João.

Sou trabalhador independente (TI), realidade laboral que, com a pandemia, ganhou alguma visibilidade, pela necessidade de alertar para as disparidades que nos encurralam, apesar de colocarmos igual empenho, profissionalismo e dedicação fiscal ao de qualquer outro trabalhador que tenha um patrão, um contrato, um rendimento assegurado quando a facturação atinge o zero. A natureza dos rendimentos de um TI oscila muito – num mês (ou mesmo num trimestre) pode ser de milhares de euros, noutro pode ser nulo.

Vamos por partes. Sou jornalista. Fiz o meu estágio no Diário de Notícias, em 1993. Em Janeiro de 1997, entrei para os quadros do vespertino A Capital. Fui fazendo o meu percurso na profissão, crescendo nela, até assumir a direcção da revista mensal Os Meus Livros, no final de 2004, até 2012. Ou seja, de 1993 a 2012 fiz, única e exclusivamente, jornalismo, passando pelos diferentes escalões profissionais, de estagiário a director.

Com o fecho definitivo da revista, em 2012, num meio profissional completamente distinto daquele em que me formei, não conseguindo colocação numa redacção, tinha dois caminhos. Evitando render-me a um emprego despersonalizado cuja parca remuneração seria acompanhada por uma óbvia frustração, optei por me aventurar como TI, não apenas como jornalista, mas encontrando nos ensinamentos que uma profissão com essa grandeza transporta fórmulas para conjugar comunicação e cultura. Como diriam alguns gestores, fiz um spin-off da minha actividade.

Nestes oito anos, em paralelo com algumas colaborações na imprensa escrita, criei ciclos com escritores (como faço há anos com a autarquia de Santiago do Cacém, e fiz durante dois anos e meio na Livraria Almedina); entrevistas de vida ao vivo (durante três anos, com a autarquia de Almada); moderei inúmeras conversas em festivais literários (Ovar, Chaves, Sabrosa…) e ciclos diversos (como o Com Todas as Letras, na Sociedade Portuguesa de Autores); desenhei formatos para levar a BD ou a poesia a crianças e jovens (em bibliotecas e escolas); concebi o projecto Literatura Língua Comum, para o Programa Escolhas; levei “25 Músicas para o 25 de Abril” a bibliotecas e escolas; dinamizei formação sobre aspectos menos comerciais da História da Música, integrei colectivos que juntam a palavra dita e a música (em torno de Marquês de Sade, Jorge Luis Borges, Fernando Pessoa ou Miguel Torga).

Alguém que durante três meses passa um recibo de 400 euros não sobrevive nos três seguintes com um terço disso

Destaco, claro, o festival Livros a Oeste, organizado pela Câmara Municipal da Lourinhã desde 2012, para o qual faço a programação (manhãs, tardes e noites) e moderação das mesas. Este ano, seria de 12 a 18 de Maio, por isso, o pico de adrenalina que costuma ser essa semana para toda a equipa será em 2020 substituído pela chegada do pico da pandemia, a crer em algumas previsões.

Olhando para todos estes projectos, por vezes, penso: jornalista? Divulgador? Artista? Programador? Dinamizador? Empreendedor? Uma coisa é certa: TI. Tudo a recibos verdes. E tudo isto impossível de levar a cabo neste momento.

O medo da incerteza a cada mês e a procura constante de novos clientes (new business, como dizem na Economia). O salto sem rede. Um TI não tem qualquer vínculo a quem o contrata e, para poder receber um subsídio de desemprego, tem de ter mais de metade do seu rendimento proveniente de um mesmo cliente. É fácil de entender a raridade da situação (pensem num electricista, num canalizador, no senhor que chamamos para pintar a sala ou arranjar o esquentador).

A primeira frase deste artigo não é inocente; alguns terão reconhecido o início de Moby Dick, a odisseia do Capitão Ahab, navegando enlouquecido atrás da baleia branca que lhe levou a perna. Para que não nos afundemos na voracidade de ultrapassar esta conjuntura, é preciso olhar para os TI com clareza e entender que alguém que durante três meses passa um recibo de 400 euros não sobrevive nos três seguintes com um terço disso, depois de a baleia Covid lhe ter mastigado ambas as pernas. Como diria o grande Mário de Carvalho, era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto…


domingo, 5 de março de 2023

sexta-feira, 3 de março de 2023

Adenda à aula 2

1. Fico contente por a turma ter crescido (de um bando dos quatro passámos para uns famosos sete), por isso não houve folhas de apoio para todos. Envio por mail para quem pedir.

2. Todos os dias há nos jornais coisas que nós podem interessar. Hoje, no The Guardian (que está em canal aberto, pedem que assinamos, mas não obrigam), o que me saltou à vista como uma bonita definição do editor ideal:

Pode ler o artigo completo aqui.


Anexo: mensagem 7/3

Meus caros, é mais uma chamada: ganhem por favor o hábito de consultar o blog da cadeira. 

Faz dois dias que a vossa colega Catarina colocou uma ligação para um trabalho do João Morales (nosso convidado de amanhã) e, embora com os motores de busca todos possam investigar, eu coloquei agora um perfil que ele fez (digamos, um estado da arte) no início da pandemia. 

Quanto aos exercícios (revisão, tradução, edição etc.): nada como a prática quotidiana para apurar a mão, até a componente técnica deixar de ser técnica e se tornar quase uma segunda natureza. Cinco a dez minutos chegam e sobram – têm é de ser regulares. 


quarta-feira, 1 de março de 2023

Roald Dahl

 Aproveitando a boleia da publicação anterior, deixo aqui um link relativo à última polémica internacional do mundo da edição, já um pouco ressessa ao dia de hoje.

De qualquer forma, aqui fica: https://www.theguardian.com/books/2023/feb/18/roald-dahl-books-rewritten-to-remove-language-deemed-offensive


Até já!

João

Uma livraria curiosa

  A Greta . Ainda não fui lá, embora nem seja longe de onde moro.