quarta-feira, 31 de maio de 2023

Relatório de leitura

 Descrição objetiva do texto “Il Profumo” tradução italiana do livro “Das Parfum” de Patrick Süskind

1.         Género: Mistério/ Ficção histórica

2.         Sinopse: Estamos na França do século XVIII, o odor é insuportável, sobretudo em Paris, e é aqui que nasce Grenouille, filho de uma jovem mulher que é decapitada pouco depois do seu nascimento por infanticídio múltiplo. Grenouille consegue sobreviver às condições de vida a que é obrigado. Baldini, um perfumista, depois ter descoberto as capacidades de Grenouille decide deixá-lo criar perfumes e graças a isto enriquece-se. O seu maior desejo é criar um perfume, inspirado do cheiro duma rapariga, o seu sonho levá-lo-á a utilizar meios inusuais. Conseguirá no seu intento?

3.  Personagens:

·      Jean Baptiste Grenouille, um rapaz com capacidades olfativas inusuais 

·      Pai Terrier, homem culto, estudioso de teologia, filosofia, botânica e alquimia. Abandona Grenoille fora dos muros da casa porque tem medo dele. 

·      Madame Gaillard, que ainda não tinha 30 anos, tem perdido o seu olfato de criança. Fria, não tinha sentido, alegria ou tristeza na sua vida. Perturbada pelos poderes de visão de Grenouille, vende-o a um talhante em busca de mão-de-obra barata. Sabemos que morre aos noventa anos, depois de uma doença de longa duração.

·       Giuseppe Baldoni, um falso perfumista que enriquece graças a Grenouille e que morre durante o sono.

·      O Marquês de la Taillade-Espinasse, que cuida de Grenoille e o faz recuperar a saúde, morre na montanha mais alta dos Pirinéus. 

·      Madame Arnulfi é a nova directora de Grenoiulle numa nova perfumaria. 

4. Origem do Texto: Alemanha, 1985 

5. Autor: Patrick Süskind 

  

Valorização pessoal 

O livro é dividido em quatro partes, a linguagem é simples, mas a tradução do texto que tenho lido tem algumas expressões um pouco arcaicas. Os temas abordados no texto são principalmente: o cheiro e a pesquisa dum cheiro sublime e perfeito, o desejo e a paixão de Grenouille na criação deste perfume vai fazê-lo comer actos inumanos. O tema da desumanidade de Grenouille faz parte do texto, a ausência de cheiro tem causado várias vezes medo nas pessoas. Aos perfumes é ligado o extenso uso das descrições, que podem ser aborrecidas para alguém, mas que eu acho muito inteligentes e bem pensadas e que permitem imaginar a situação, também sem um conhecimento profundo dos diferentes óleos e fragrâncias existentes. 

O livro já tem dado origem a diferentes filmes e séries de televisão, devido a sinopse interessante e cheia de possibilidade. As descrições permitem também, num ponto de vista visual, uma ampla distribuição. O título, ambíguo permite diferentes interpretações, se o público não conhece a história. Já notei que a tradução para o inglês não permite esta ambiguidade enquanto com “Perfume: the Story of a Murderer” todo o mistério desaparece. 

terça-feira, 30 de maio de 2023

Mais vale tarde do que nunca?! :)

1. Livro Infantil














1.     2. Tradução do Poema

You don’t know what love is Bukowski said
I’m 51 years old look at me
I’m in love with this young broad
I got it bad but she’s hung up too
so it’s all right man that’s the way it should be
I get in their blood and they can’t get me out
They try everything to get away from me
but they all come back in the end
They all came back to me except
the one I planted
I cried over that one
but I cried easy in those days
Don’t let me get onto the hard stuff man
I get mean then
I could sit here and drink beer
with you hippies all night
I could drink ten quarts of this beer
and nothing it’s like water
But let me get onto the hard stuff
and I’ll start throwing people out windows
I’ll throw anybody out the window
I’ve done it
But you don’t know what love is
You don’t know because you’ve never
been in love it’s that simple
I got this young broad see she’s beautiful
She calls me Bukowski
Bukowski she says in this little voice
and I say What
But you don’t know what love is
I’m telling you what it is
but you aren’t listening
There isn’t one of you in this room
would recognize love if it stepped up
and buggered you in the ass
I used to think poetry readings were a copout
Look I’m 51 years old and I’ve been around
I know they’re a copout
but I said to myself Bukowski
starving is even more of a copout
So there you are and nothing is like it should be
That fellow what’s his name Galway Kinnell
I saw his picture in a magazine
He has a handsome mug on him
but he’s a teacher
Christ can you imagine
But then you’re teachers too
here I am insulting you already
No I haven’t heard of him
or him either
They’re all termites
Maybe it’s ego I don’t read much anymore
but these people who build
reputations on five or six books
termites

(…)

 

 ·       Tradução - “Vocês não sabem o que é o amor” por Ramond Carver

Vocês não sabem o que é o amor, disse Bukowski

Tenho 51 anos e olhem para mim

estou apaixonado por esta jovem jeitosa

Eu estou doente, mas ela também está agarrada

então está tudo bem, é assim que deve ser

Entro-lhes no sangue e elas já não me esquecem

Tentam de tudo para se verem livres de mim

mas voltam todas no final

Todas elas voltam para mim, exceto

aquela que eu deixei pendurada

Chorei por essa

mas eu chorava facilmente naqueles dias

Não me deem bebidas fortes

torno-me agressivo

Eu podia sentar-me aqui e beber cerveja

com vocês a noite toda, hippies

Podia beber dez litros desta cerveja

como se não fosse nada, é como água

Não me deem bebidas fortes

começo logo a atirar pessoas pela janela

Eu atiro qualquer um pela janela

já o fiz

Mas vocês não sabem o que é o amor

Vocês não sabem porque nunca

estiveram apaixonados, é tão simples quanto isso

Eu tenho esta jeitosa, olhem como ela é linda

Ela chama-me Bukowski

Bukowski, sussurra ela

e eu digo O que foi

Mas vocês não sabem o que é o amor

Estou a dizer-vos o que ele é

mas vocês não me estão a ouvir

Não há ninguém nesta sala

que reconheceria o amor se ele entrasse por aqui adentro

e vos desse uma tareia

Eu costumava pensar que as leituras de poesia eram o fundo do poço

Olhem, eu tenho 51 anos e já vivi muito

eu sei que elas são o fundo do poço

mas disse a mim mesmo, Bukowski

passar fome é que é o fundo do poço,

Portanto aqui estamos nós e nada é como devia ser

Aquele gajo, qual é o nome dele, Galway Kinnell

vi a foto dele numa revista

Tem uma cara bonita

mas ele é professor

Fogo, conseguem imaginar

Mas vocês também são professores

pronto, já vos estou aqui a insultar

Não, nunca ouvi falar dele

nem desse

São todos parasitas

Talvez seja o meu ego, eu já não leio muito

mas essas pessoas que constroem

reputações com cinco ou seis livros

parasitas

(…)


3. Ficha de Leitura (sobre um livro que recomendo)

Relatório de Leitura  - “Balada para Sophie” de Filipe Melo e Juan Cavia

Descrição objetiva do Texto

 1.     Género: Banda Desenhada / Drama / Novela gráfica

 Sinopse:

Em tempos um famoso pianista francês, Julien Dubois vive na antiga mansão da sua família, perdido entre as suas memórias e a realidade. Um dia a jovem jornalista Adeline toca-lhe à porta. Apesar de não ser bem recebida quando tenta entrevistar Julien pela primeira vez, Julien acaba por lhe ir contando pouco a pouco a sua vida.

A obra tem um ritmo semelhante a uma partitura escrita com fumo de cigarro, que aconchega muito bem o texto nas belíssimas imagens gráficas que o acompanham, num tom surreal, músical, honesto e emotivo.

 

2.    Personagens principais:

·       Julien Dubois – famoso pianista francês, perdido na amargura das frustrações e erros que cometeu durante a sua vida.

·       Adeline – jovem jornalista, que é mais do que aparenta ser.

·       François Samson - filho talentoso do responsável pela limpeza do teatro onde Julien tocou pela primeira vez. Julien passa a vida a tentar superá-lo.

 

3.    Autores: Filipe Melo (músico, realizador de cinema e autor de banda desenhada português) e Juan Cavia (designer de produção argentino, diretor de arte e ilustrador).

 

4.     Origem do texto: Companhia das Letras, junho de 2021

 

 Valoração pessoal

 

5.     Valoração literária

 5.1 Estrutura narrativa: Os dias de Julien com Adeline vão sendo narrados intercaladamente com a história da sua vida que Julien escolhe contar-lhe em cada tarde.

5.2 Estilo e linguagem: Linguagem simples e atual, acompanhada de um estilo gráfico lindíssimo e surreal.

5.3 Personagens: Bem desenvolvidas e com histórias de vida interessantes e bem “cosidas”.

5.4 Cenário: A obra passa-se durante a vida de Julien, aproximadamente entre 1920 e 2000. Quanto ao local, também se prende aos lugares por onde o pianista passou, sendo que a maior parte da ação ocorre na pequena vila francesa onde cresceu, Cressy-la-Valoise.

5.5 Temas: Rivalidade, Arrependimento, Orgulho, Amor pela música

5.6 Influências: François Samson; Neste livro em particular fui bastante influenciado por um ilustrador da Malásia chamado Sonny Liew“ - Revista ESTANTE, Filipe Melo e Juan Cavia em entrevista sobre o novo livro “Balada para Sophie”, 09/2020

 

6.     Valoração comercial

6.1 Capacidade comercial: Alta

6.2 Leitor tipo: Leitor português entre os seus 18 e 50, com um gosto um pouco alternativo e algum interesse por banda desenhada ou música;

6.3 Sugestões para comercialização e promoção:

·       Conversas promocionais em eventos culturais (como a Feira do Livro) e em lojas especializadas em Banda Desenhada;

·       Pequenos concertos onde são interpretadas as músicas de François Samson e a partitura no final da obra, acompanhadas de conversas com os autores;

·       Participação em programas culturais televisivos/rádio/podcasts/…;

·       Venda da obra em espaços comerciais e culturais (como o CCB, que tem a parte da arte e da música no mesmo espaço)

·       Anúncio na televisão/Youtube/Redes sociais com a música da obra em background e os autores a fazerem uma pequena sinopse;

·       Booktok;

·       Envio de exemplares a “influencers” de todos os tipos;

7.     Título – Perfeito.

 8.     Valoração Global – Como não leio regularmente BD, não consigo identificar as influências nesta obra, nem fazer uma valoração precisa. Porém, é sem dúvida um dos melhores livros que li ultimamente – 10/10.

Tradução de " You Don't Know What Love Is" by Raymond Carver

 

You don’t know what love is

Non sapete cos’è l’amore

Não sabem o que é o amor

Shit I couldn’t write up here
Too quiet up here too many trees
I like the city that’s the place for me
I put on my classical music each morning
and sit down in front of my typewriter
I light a cigar and I smoke it like this see
and I say Bukowski you’re a lucky man
Bukowski you’ve gone through it all
and you’re a lucky man
and the blue smoke drifts across the table
and I look out the window onto Delongpre Avenue
and I see people walking up and down the sidewalk
and I puff on the cigar like this
and then I lay the cigar in the ashtray like this and take a deep breath
and I begin to write
Bukowski this is the life I say

Merda, non sono riuscito a scrivere qui

Troppo silenzio, troppi alberi

Mi piace la città, è quello il posto che fa per me

Metto la mia musica classica ogni mattina

E mi siedo di fronte alla macchina da scrivere

Mi accendo un sigaro e lo fumo così

E dico Bukowsky, lei é un uomo fortunato

Bukowsky, lei ne ha passate tante

E è un uomo fortunato

E io fumo blu attraversa il tavolo

E guardo fuori dalla finestra verso Delongpre Avanue

E vedo le persone camminare su e giù sul marciapiede

E aspiro il sigaro così

E dopo lo lascio nel posacenere così

E faccio un grande respiro

 e inizio a scrivere 

Dico Bukowsky questa è vita

 

Merda, não consegui escrever aqui

Demasiado queito, demasiadas árvores

Gosto da cidade, é o sítio justo para mim.

Ponho a minha música clássica todas as manhãs

e sento-me à frente da máquina de escrever

acendo um charuto e fumo-o assim

e digo Bukowski, você é um homem afortunado

Bukowski, você passou por tudo

e é um homem afortunado

e a fumaça azul passa pela mesa

e olho pela janela para a Avenida Delongpre

e vejo as pessoas dar um passeio na calçada

e eu trago o charuto assim

e depois coloco-o no cinzeiro assim

e respiro fundo

e começo a escrever

Digo Bukowski esta é vida

 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Sobre capas

 O vídeo é em francês mas, com legendas, creio que não tereis grande dificuldade. 


Aqui está.

Sumário possível da aula 12 (16/5)

1. O estado da arte

Quem tem razão? Há critérios para um texto (ou obra de arte) ser bom? (perguntou o João)

A resposta é nim, como a quase tudo. Não, não há critérios, sobretudo em arte. (Definição cínica, mas útil, de arte: arte é aquilo que as pessoas do sistema da arte decidem que é arte.) 

Por outro lado, critérios haverá. Não podemos deixar as certezas só para os ignorantes, tal como Descartes achava que «as coisas boas da vida não podem ser só para os burros». 

Mesmo sabendo que o nosso juízo é falível (circunstancial, etário, dependendo da nossa formação e personalidade - atrás de uma grande idelogia há uma ainda maior idiossincrasia, digamos), alguns critérios temos de definir. 

Mesmo não sabendo o que faz de um texto um bom texto, podemos saber o que faz de um texto um mau texto: nada acrescentar, limitar-se a imitar em pior outros textos, excesso de redundância, inadequação entre as partes e o todo, etc. 

2. Carolas e tachos

Um exercício em aula em torno de gírias, usos. Tarefa: explicar à Chiara «carola» e «tacho». 

metáfora e metonímia, os dois eixos principais das figuras de estilo 

Mesmo não sabendo o que são, sabemos-lhes dar uso.

Metáfora: aproximação entre díspares, até à fusão: a minha Maria tem em comum com uma flor um traço (ambas são muito bonitas) que fará com que eu as confunda tanto... até as fundir. 

O sr. Gaio, fundador do Cinanima (Espinho), segundo maior festival de cinema de animação da Europa (talvez do mundo) é um carola, tal como Fernando Lopes Graça e Michel Giacometti quando nos anos 60 recolhiam tradições orais portuguesas em aldeias remotas antes que as bibliotecas com pernas morressem e o seu saber desaparecesse para sempre. 

Um carola é, digamos, alguém que se esforça mais do que aquilo para que é pago. Alguém que, eventualmente, preeenche um vazio numa necessidade social, acabando por substituir as instituições no fornecimento de um bem. 

3. Pai e Filha

Exercício em aula: uma sinopse, um comentário, uma estruturação. E, ah, dar notas em dois sistemas (0 a 20, 0 a 5). 

Em minha defesa, vi milhares de filmes de animação. Fui presidente do júri internacional em 2000 no Cinanima. Tenho experiência, sensibilidade, saber. Isso não faz de mim um sabão, nem sequer um sabonete, tal como não anula as opiniões divergentes. É só um chamar de atenção: «Estes são os meus pergaminhos, mostra-me os seus?»

(Fica o desafio para os mais rigorosos a dar notas: mostrem-me o vosso caixote do lixo.) 

Não devia ter dito logo no início que o filme ganhou (graças por acaso ao grande prémio obtido no Cinanima) o Óscar desse ano para curtas-metragens. Não que o Oscar, tal como o Nobel, seja um critério absoluto. É, no entanto, um indício. Nem sempre «o melhor» ganha, mas é raro o que ganha ser mesmo mediocre. 

À estrutura do filme poderemos aplicar o já nosso conhecido esquema 1-2-3, tal como ao meme apresentado em aula? 

Creio que sim:  

1. o Pai despede-se da filha

2. a vida sem o pai

3. o reencontro.

Além de que, como já vimos, o acto 2 divide-se em dois. 

2a: a vida sem o pai na fase ascendente (infância, juventude, primeiro amor) até um planalto: bebés. 

2b: a vida sem o pai na fase descendente (desde o planalto da maturidade até ao cair da bicicleta)

3: o entrar lago adentro até adormecer.

E, dentro do 3, ou adjacente, uma espécie de Post Scriptum, um remate. 


4. Faixa bónus

Este vídeo é uma delícia. Fala da importância do gesto final quando um pianista toca uma peça íntima e comovente. 

As respirações num livro têm essa função: o puxar pelas qualidades de um texto, em vez de as abafar.

(Nota pessoal: há uns dez anos, na estreia de uma peça senti um vazio quando os artistas vieram agradecer e sugeri ao encenador que resolvesse o problema. No dia seguinte escolheu uma canção menos conhecida de Frank Sinatra que se adequava à perfeição. Ajudou a deixar um bom sabor no coração do público.)

(Nota 2: no concerto dos Mordomia, início e fim foram – é uma opinião, e de alguém que nesse campo já está desfasado, muito felizes.)





quarta-feira, 10 de maio de 2023

Sumário aula 11 (10/5)

Hoje, às 18h30, os Estendais de Gisela Casimiro. 


Da aula:

A primeira pergunta quando trabalhamos um texto é: como o ajudar a chegar melhor? 

E quando criticamos: eu faria melhor?

O I sai às terças custa 2,50€ e é um maná. Graficamente cumpre mas tem falta de jornalistas, revisores, critério editorial. Demasiados textos parecem não ter sido relidos, nem mesmo por quem os escreveu. 


Ler/reler: o primeiro gesto editorial. 

Se praticarmos, ganhamos confiança. Os modelos ajudam não são fórmulas mágicas. Cada texto coloca sempre desafios distintos, porque (tal como um livro) é sempre um protótipo.



quarta-feira, 3 de maio de 2023

Uma livraria curiosa

  A Greta . Ainda não fui lá, embora nem seja longe de onde moro.