quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Coimbra

  1. Há bagagem literária fora de formato
  2. Sempre houve literatura oral
  3. Sempre houve performance e palavra dita/dialogada
  4. O povo não é inferior
  5. Nem estúpido
  6. Cultura erudita vs. Cultura popular
  7. Cultura popular vs. Cultura de massas
  8. Cultura (participada) vs espectáculo (consumido)
  9. “I'm talking to you, I love you, Madrid! I'm gonna Share this with you”
  10. Não há obsceno
  11. Não há palavras proibidas
  12. Criticar e criar não são opostos
  13. A crónica não tem de ser menor, a BD não é só para crianças
  14. Marginal é um conceito fluido, il cânone è mobile 
  15. Os géneros menores não são necessariamente menores
  16. Ler pode ser: pensar com prazer
  17. As misturas não são necessariamente más
  18. Um escritor não perde qualidades se dialogar com outros autores
  19. O individual não é melhor que o colaborativo
  20. As palavras não morram nem secam se justapostas ou mescladas com outros códigos
  21. Ler/escrever/pensar = brincar
  22. Com a ascensão do processador de texto, a montagem do cinema influenciou muito a ficção escrita
  23. Brincar é a coisa mais séria do mundo.


domingo, 8 de janeiro de 2023

Notas finais

 Meus caros, gostei de trabalhar convosco. Desejo-vos sorte no próximo semestre. Aqui estão as notas finais que tenho para vós, ainda provisórias. Em teoria, um professor não «dá» notas (é ilegal), apenas as constata. 

Isto dito, em áreas humanas, nada é inteiramente rigoroso. Fiz a melhor avaliação que pude (e sei que cometi algumas injustiças) e estou aberto aos vossos argumentos. E, ah, há ainda o exame. 

Alicia Rafaela Coutinho Santos – 16

Ana Sofia Bessa Ferreira – 16

Bing'er Yan (Érica) – 15

Carolina Gualdino Duarte – 16

Catarina Santiago Costa – 18

Catarina Fardilha Pinto – 16

Cristiano Borba Do Nascimento – 19

Eunice Montenegro Fernandes – 16

Eva Magalhães Pereira - não tenho trabalho final

Inês Brito Pegado – 16

Inês Carvalho Jóia - não tenho trabalho final

Inês Oliveira Afonso – 16   

João Maria Roque Monteiro - 17

Mafalda de Sousa Falcão –17

Margarida Almeida Valido – 16

Margarida Maria Pinto Coelho   17

Margarida Cardigos Bastos 17

Mariana Bento Félix – 17

Mariana Conde da Silva – 16

Mariana Neves Silveira – 17

Marta Bernardino – 16

Mathilde Sampaio da Silva – 17

Nuno Valente – 20

Nuno Leonardo da Silva – 16

Rita Nunes de Serpa – 16

Vasco Steel Hart – 16

Zhang Yongzhi (Vitória) - 15


sábado, 7 de janeiro de 2023

Notas pré-finais

Segunda começarei a lançar aqui as notas, ainda não lacradas, para as poderem discutir. Houve quem trabalhasse muito bem. Até a participação no blog conta e, embora alguns colegas tenham sido dinâmicos, é pena que outros tenham desperdiçado até essa oportunidade. Como a aula é o espaço do erro (um simulador de voo, não o voo propriamente dito), as consequências não são significativas, mas numa profissão futura podem ser. O quiet quitting é bom para quem está em fim de carreira.  

todas as observações almejam ajudar-vos em trabalhos futuros. Como foi dito em aula: quem me critica antes de publicar é meu amigo. Ora, a ideia mesma de aula (ou curso) é ser «antes-de-publicar». 


 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Quarta 4 de janeiro: aula de compensação

 Esta quarta, na sala habitual (C008), teremos uma aula de compensação. 

Em princípio, haverá apresentação de trabalhos, bem como um balanço - com esclarecimento tipo discos pedidos - da disciplina. 

Os objetivos da cadeira são simples: 

1) o aluno ter, no fim do semestre, uma visão mais informada do mundo editorial, nas suas diversas vertentes (ainda que com óbvias lacunas);

2) sermos mais capazes de pensar o mundo do livro e, em teoria, de estabelecer um plano imaginário.   

Cabe a cada um de vós responder, no vosso íntimo, quão perto ou longe ficámos desses objetivos. 

Eu, como Pôncio Pilatos, depois de ter dado a) bibliografia, b) uma sebenta, c) respondido às vossas dúvidas com o máximo de candura que a minha idade permite, lavo daí as minhas mãos.  

As duas castas (um excelente artigo sobre um tema candente)

Existe a convenção social segundo a qual a gestão “vale” muito mais do que o trabalho, justificando remunerações vinte, trinta, cinquenta vezes maiores para quem gere do que para quem “opera”.

Vigora uma convenção social segundo a qual esta última actividade “vale” muito mais do que a primeira, justificando compensações remuneratórias vinte, trinta, cinquenta vezes maiores para quem gere do que para quem “opera”. Essa convenção tem explicação fácil nas empresas privadas, onde os gestores têm com os accionistas o compromisso de tudo fazerem para lhes canalizarem benefícios, e são estimulados/premiados por reduzirem ou eliminarem outros gastos (como o dos salários do pessoal…). Este “contrato” pode levar a que se endivide a empresa no médio e longo prazo para aumentar os dividendos – e se ganhe, no fim, um bom prémio de gestão.

Estender a fórmula ao sector público é menos razoável, porque a primeira prioridade das empresas é assegurar um serviço óptimo e a de gerar lucros vem só depois. No entanto, essa extensão é feita com base no argumento de que, se assim não for, as empresas públicas não podem contar com os “melhores” – os quais, de resto, parecem concentrar-se nas fileiras dos partidos dominantes.

De um modo ou de outro, a “população activa” do país divide-se, assim, em duas castas , no que toca à compensação económica do esforço das pessoas: a dos que ganham “o menos possível”, na lógica da compressão de custos (combate à inflação, recuperação das empresas, salvaguarda dos postos de trabalho, competitividade das empresas e da economia…); e a daqueles para quem não há limites, dependendo apenas do que exijam e do que os accionistas (privados ou públicos) estejam dispostos a pagar-lhes.

Os primeiros estão expostos às flutuações dos mercados e das estratégias adoptadas pelos segundos, ao alcance de despedimentos colectivos com indemnizações irrisórias e outras medidas de austeridade; os segundos vivem blindados por cláusulas contratuais do tipo “pára-quedas dourado”, que lhes garantem compensações milionárias à saída, e são imunes às políticas de contenção de custos. De empresa em empresa – porque a casta funciona em cadeia –, estes últimos vão construindo carreira e fazendo fortuna. Basta alcançar a primeira administração – a partir daí, e independentemente dos resultados obtidos, a estrada para a prosperidade está aberta.

O problema está evidenciado nos Estados Unidos, graças às normas de transparência que aí vigoram – mas, entre nós, tudo se passa como se não existisse. Ou melhor: sabe-se que existe, mas não se tem ideia nítida dos valores (protegidos por elaborada neblina) – e, de qualquer modo, o que é importante é “chegar lá”. A atractividade dos cursos de gestão de empresas e dos MBA encontra neste cenário uma chave explicativa.

No sector privado, o apelo ao equilíbrio e à equidade é inútil, porque o sistema assenta na natureza dos compromissos subjacentes aos cargos de gestão. A única via de atenuação será, porventura, a da penalização fiscal – através de taxas muito superiores às actuais para esses rendimentos anormalmente elevados –, embora sob o risco de efeitos contraproducentes.

No sector público, a questão parece bastante mais abordável. É possível estabelecer regras que articulem, de algum modo, as remunerações dos gestores com dois complexos de valor que fazem parte do mesmo contexto: de um lado, o mapa dos salários praticados na empresa, e, do outro, os níveis remuneratórios dos governantes que têm a responsabilidade política de a tutelarem. Se isso resultar na renúncia aos “Ronaldos” da gestão, paciência. Não existe absolutamente nenhuma prova de que a qualidade da gestão das empresas públicas (e, já agora, também das privadas…) tenha alguma relação positiva com a remuneração dos administradores.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

5.3 Um romance é igual à Enciclopédia Britânica? [versão revisada após edição e sugestões de Ana Bessa]

A minha resposta curta: não.

Entendo que, além das finalidades e dos suportes diversos, os livros também apresentam — ou propiciam — experiências variadas. Ao falar de experiências, refiro-me não apenas ao ato da leitura em si, mas ao modo como temos acesso às informações que os livros contêm. Diferentes expectativas sobre o propósito dessas informações justificam experiências também diferentes.

O utilizador do livro que queira somente uma resposta objetiva a questão qualquer espera encontrá-la de forma igualmente objetiva — isto é, rápida. Não se imagina, portanto, que lhe seja exigida uma leitura contínua, linear, longa, para encontrar a informação que lhe interessa. Enciclopédias (inclusive a Britânica) costumavam ser obras em formato de livro e tinham por propósito oferecer essa resposta objetiva, rápida, pontual. Para tanto, eram organizadas em um sistema de referências que tentava superar a natural linearidade do formato do livro impresso e das restrições impostas pelo papel.

Mas essa dificuldade — e inevitável luta contra a linearidade — só fazia sentido enquanto o papel era o único suporte à informação possível. Com o desenvolvimento e a popularização das tecnologias digitais, cabe questionar se ainda faz sentido uma enciclopédia ser produzida em formato de livro, em papel impresso. Com a interface adequada, a informação pontual de um verbete torna-se uma entrada de um banco de dados potencialmente infinito — e a busca e o acesso ao seu conteúdo podem ser realizados de modo randômico, cada vez menos linear. Outro ganho que a tecnologia entrega à lógica enciclopédica é a possibilidade de constante (e fácil, barata) atualização desse conteúdo dos verbetes (sem falar das interconexões entre si e com outras fontes de informação externas à enciclopédia).

Essa tendência explica o sucesso de uma plataforma como a Wikipedia, por exemplo. É mais rápido, barato e eficiente desenvolver uma enciclopédia totalmente digital, aberta, independente do papel e da linearidade.

Por outro lado, existem as experiências de leitura que são dependentes da linearidade. Nos romances, a linearidade é a experiência desejável. Sim, é verdade que cabem algumas questões sobre essa afirmação. Um romance escrito pode até ser apresentado — e lido — em formatos distintos do livro impresso. Um site, um e-book, um audiobook: todos dão suporte ao texto de um romance sem depender do papel — e da experiência tátil de folhear o papel. Para alguns, isso será uma perda. Para outros, uma vantagem — ou só uma nova experiência. Romances em meio digital podem ser mais acessíveis: mais baratos para aquisição, mais leves para compartilhamento. Em meio impresso, podem ser (com perdão dos trocadilhos) mais “românticos”, mais literalmente palpáveis.

De qualquer maneira, enfim, o que defendo é que, naquela oposição fundamental (ainda que reducionista) entre linearidade e objetividade, romances seguirão longe de serem fonte de informação objetiva. Seja por qual meio for, romances tendem a ser trilhas a ser percorridas passo a passo. Histórias podem ser contadas em vários formatos, mas o que nos dá gosto em ouvi-las é a particularidade de cada um deles. A velocidade, neste caso, não é uma virtude. O tempo é o da apreciação da leitura como fonte de perguntas, e não como repositório de respostas. Diferente de uma enciclopédia, apesar da digitalização da vida, um romance seguirá sempre sendo um livro.


Uma livraria curiosa

  A Greta . Ainda não fui lá, embora nem seja longe de onde moro.